Cadernos de Saúde Pública (CSP)
O formaldeído continua amplamente utilizado em procedimentos clínicos e odontológicos, sobretudo em países de renda baixa e média com supervisão regulatória limitada, onde faltam dados sobre exposição ocupacional. Este estudo transversal avaliou a exposição ao formaldeído em tempo real e sua associação com sintomas agudos em 180 profissionais de saúde no Marrocos. O formaldeído no ar foi medido em 12 departamentos hospitalares durante turnos de oito horas com dosímetro semicondutor calibrado, junto a um questionário estruturado de sintomas. As associações foram avaliadas por regressão logística multivariada e correlação de Spearman. Todas as concentrações médias ficaram abaixo do limite marroquino de 0,25mg/m3 (variação: 0,048-0,196mg/m3; 19-78% do limite). Ainda assim, trabalhadores altamente expostos relataram significativamente mais sintomas, incluindo irritação ocular (72,5%), cefaleia (63%) e desconforto respiratório (56,5%). A exposição prolongada (≥ 8 horas/dia, ≥ 3 dias/semana) previu independentemente múltiplos sintomas (OR ajustado = 3,2; IC95%: 1,7-5,9), assim como ventilação inadequada (OR ajustado = 2,4) e uso inconsistente de EPI (OR ajustado = 1,9). Os anos de exposição correlacionaram-se moderadamente com o número de sintomas (ρ = 0,41; p < 0,01). Apesar do desenho transversal, a exposição ao formaldeído esteve fortemente associada a sintomas agudos mesmo em concentrações sublimiares, sugerindo que os limites atuais podem não proteger totalmente os trabalhadores. Fortalecer medidas preventivas é essencial em contextos de recursos limitados. Esses achados apoiam abordagens integradas de vigilância da exposição em países de renda baixa e média. Estudos longitudinais com biomarcadores são necessários para refinar a inferência causal e orientar políticas.
DOI
10.1590/0102-311XEN191325
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