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Interseccionalidade na mortalidade de brasileiros com 50 anos ou mais: análise do ELSI-Brasil

Cadernos de Saúde Pública (CSP)
O objetivo foi analisar os fatores associados à mortalidade geral e por grupos de causas específicas, incluindo códigos garbage (CG), sob a perspectiva da interseccionalidade (operacionalizada pela combinação de sexo, raça/cor da pele, escolaridade e renda), em uma coorte de brasileiros com 50 anos ou mais. Estudo de coorte prospectivo com dados de 8.918 participantes do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil), acompanhados entre 2015 e 2021. A interseccionalidade foi operacionalizada em 32 estratos. A heterogeneidade na mortalidade foi quantificada pela Análise Multinível de Heterogeneidade Individual e Acurácia Discriminatória (MAIHDA). A associação com o tempo até o óbito foi analisada por meio de modelos de riscos proporcionais de Cox tradicional e com fragilidade, ajustados por variáveis sociodemográficas, de saúde e comportamentais. Ocorreram 817 óbitos. O modelo MAIHDA sem variáveis de ajuste indicou que 7% da variação na mortalidade foram atribuíveis às diferenças entre os estratos interseccionais. No modelo final ajustado com fragilidade, as variáveis de ajuste explicaram parte do risco, mas a análise dos resíduos revelou que estratos compostos por mulheres com baixa escolaridade mantiveram um risco de mortalidade residual elevado. Em contraste, homens não brancos de alta renda apresentaram risco inferior ao esperado. A interseccionalidade é um determinante estrutural da mortalidade. A sobreposição de eixos de opressão gera riscos que não são redutíveis à soma de suas partes, demandando políticas que atuem sobre as estruturas sociais que produzem iniquidade.
DOI
10.1590/0102-311XPT244825
Identificação
Publicado por (Instituto)