Cadernos de Saúde Pública (CSP)
Populações em situações de vulnerabilidade, como mulheres e pessoas negras, enfrentam maiores desafios físicos e econômicos no acesso à alimentação, evidenciando que os ambientes alimentares são estruturados como um reflexo das desigualdades sociais do país. Nesse contexto, o objetivo deste estudo foi realizar uma revisão de escopo para identificar literatura sobre acesso, aquisição e disponibilidade de alimentos no Brasil, com foco específico em gênero e raça/cor da pele. Além disso, buscou-se identificar recomendações aos gestores para a formulação de políticas públicas voltadas à melhoria do acesso à alimentação no país, considerando as desigualdades existentes nessas dimensões. A busca foi realizada em quatro bases de dados, sem restrição de data. A estratégia de busca foi construída combinando os descritores “acesso”, “aquisição” e “disponibilidade” de alimentos com marcadores sociais como “gênero” e “raça/cor da pele”, utilizando operadores booleanos. Todas as etapas de seleção de estudos e extração de dados foram realizadas de forma independente por dois pesquisadores. Os achados revelam desigualdades estruturais no acesso à alimentação, com barreiras mais pronunciadas para mulheres negras. Observou-se uma concentração de desertos e pântanos alimentares em áreas de maior vulnerabilidade social e racial. Contudo, identificou-se uma escassez de estudos abordando o gênero e a interseção entre gênero e raça/cor da pele. Os resultados desta revisão ressaltam a urgência de políticas públicas justas, que incorporem a equidade racial e de gênero e que sejam capazes de assegurar o direito humano à alimentação adequada de forma equitativa a toda a população brasileira.
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10.1590/0102-311XEN211325
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