A fitoterapia no Brasil foi retomada durante as décadas 70 e 80 e tem fornecido um incremento nas pesquisas de novas drogas de origem vegetal. Neste contexto, a família Lamiaceae, com 500 espécies distribuídas em 28 gêneros nativos do Brasil, despertou interesse em pesquisadores, impulsionados pelas evidências médicas do potencial de suas espécies. Lepechinia speciosa é uma espécie endêmica dessa família, com atividade antimicrobiana comprovada do seu óleo essencial. Entretanto, até o momento, não há descrição das suas características anatômicas, essencial para identificação das fontes das substâncias secretadas, permitindo aplicação terapêutica em fitoterapia. Com o objetivo de fornecer subsídios para os estudos farmacognósticos de L. speciosa, a caracterização anatômica foliar foi realizada com folhas plenamente expandidas, coletadas de um único indivíduo. Procederam-se em seguida a dissociação da epiderme e os cortes transversais seriados de 5 μm do ápice, nervura principal, bordo e pecíolo, que foram impregnados e emblocados em parafina histológica. Foram usados corantes específicos. Em vista frontal, a epiderme adaxial é formada por células poliédricas, com paredes anticlinais retas e espessadas; estômatos anisocíticos e tricomas tectores ramificados, pluricelulares e tricomas capitados simples ou pluricelulares. A epiderme abaxial é composta de células com paredes anticlinais sinuosas, abundância de tricomas ramificados ou simples pluricelulares; estômatos anomocíticos, anisociticos e paracíticos. Mesofilo dorsiventral. Pecíolo cilíndrico, com sulco central na região proximal, com 4 feixes vasculares colaterais e um feixe central amplo em forma de arco. Nervura principal proeminente na face abaxial, com cutícula fina; feixe vascular colateral em forma de arco, com terminações anficrivais. Bordo revoluto, com grandes rugosidades, onde é possível visualizar os feixes vasculares.
Estudo Anatômico em Folhas de Lepechinia speciosa (A. St.- Hil. ex. Benth) Epling
Revista Fitos
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10.32712/2446-4775.2010.113
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