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Telessaúde e aplicativos de saúde como lugares e não-lugares digitais: educação em saúde e o desafio da escuta mediada

Revista Eletrônica de Comunicação, Informação e Inovação em Saúde (RECIIS)
Este ensaio propõe uma reflexão crítica sobre os espaços digitais de saúde, como a telessaúde e os aplicativos de automonitoramento, à luz do conceito antropológico de “não-lugar” (Augé). Argumenta-se que tais tecnologias, embora potencialmente democratizadoras, podem configurar territórios esvaziados de escuta, simbolização e vínculo. Apoiado na semiótica da cultura (Lotman) e nas práticas cotidianas (Certeau), o texto interpreta essas interfaces como zonas liminares onde lugares e não-lugares coexistem, e cujos sentidos são disputados. Sustenta-se que a educação em saúde tem papel fundamental na reapropriação simbólica desses espaços, formando profissionais e usuários capazes de instaurar gestos de escuta, hospitalidade simbólica e cuidado ético, mesmo em contextos mediados por tecnologia. Trata-se de uma convocação à escuta mediada como prática clínica e de formação profissional em tempos de medicalização algorítmica e interfaces automatizadas.
DOI
10.29397/reciis.v20.5128
Autores
Referências do artigo
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