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Solidão no Brasil: uma ameaça silenciosa à Saúde Pública

Cadernos de Saúde Pública (CSP)

A solidão tem surgido como um tópico relevante para a Saúde Coletiva, mas seu impacto em países em desenvolvimento ainda é pouco estudado. Este estudo examina a crescente preocupação com a solidão no Brasil, e como o envelhecimento, a urbanização e mudanças nas estruturas familiares podem enfraquecer redes de apoio tradicionais e aprofundar a solidão em diversos grupos. O estudo também avalia os desafios de medir a solidão, dada sua natureza subjetiva, e analisa criticamente o quão bem o Sistema Único de Saúde (SUS) está preparado para lidar com a solidão por meio de intervenções comunitárias e estratégias de cuidado integrado. Os resultados sugerem que a solidão está se intensificando devido a mudanças demográficas, à medida que a população envelhece, se urbaniza e passa por transformações nas estruturas familiares. Embora o SUS adote estratégias focadas na saúde da comunidade e modelos de cuidado extensivo para combater a solidão, ele ainda enfrenta desafios como financiamento deficitário, altas proporções de pacientes por profissional e um sistema fragmentado. Este estudo enfatiza que a solidão não pode ser resolvida medicamente, como com uma vacina, mas por meio de conexões sociais fortalecidas e apoio comunitário. Defendemos uma abordagem abrangente que inclua saúde e colaboração intersetorial com educação, habitação e serviços sociais para combater sintomas e causas profundas da solidão, posicionando-a como uma prioridade urgente na Saúde Coletiva.

DOI
10.1590/0102-311XEN229524
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Publicado por (Instituto)