Cadernos Ibero-Americanos de Direito Sanitário (CIADS)
Objetivo: realizar diagnóstico situacional abordando dados sociodemográficos, epidemiológicos, territoriais e de infraestrutura da Unidade de Saúde da Família Ribeirinha, localizada na Ilha das Onças, município de Barcarena, no Pará. Metodologia: com base em dados referentes ao ano de 2024, foi realizado um estudo observacional, documental, descritivo e exploratório, de abordagem quantitativa, com uso de dados secundários e análises geoespaciais para caracterização sociodemográfica, epidemiológica e territorial vinculada à Estratégia de Saúde da Família Ribeirinha da região Amazônica, Unidade Básica de Saúde Vital Costa Gouvêa, localizada na Ilha Das Onças, no município de Barcarena, Pará. Resultados: evidenciou-se uma área adscrita composta por 2.449 habitantes distribuídos em 812 domicílios integralmente dependentes do transporte fluvial para acesso aos serviços de saúde. A análise do território revelou importantes vulnerabilidades socioambientais, caracterizadas pela ausência de saneamento básico, de abastecimento regular de água tratada, de coleta de resíduos, de energia elétrica contínua e conectividade, configurando determinantes sociais que ampliam as iniquidades em saúde. O perfil demográfico mostrou predominância da população economicamente ativa (57%), predomínio masculino (51,93%) e maior concentração de adultos economicamente ativos. No perfil epidemiológico, destacaram-se hipertensão arterial, uso de álcool e tabagismo como principais condições e fatores de risco. Por outro lado, a baixa ocorrência registrada de tuberculose, hanseníase e doença de chagas, em contraste com o cenário epidemiológico do estado do Pará, sugere possíveis limitações na detecção e notificação dos casos. Conclusão: o diagnóstico situacional evidenciou que o território da Unidade de Saúde da Família Ribeirinha da Ilha das Onças apresenta importantes vulnerabilidades socioambientais, barreiras geográficas e fragilidades estruturais que influenciam o acesso e a organização da Atenção Primária à Saúde. Os achados reforçam a territorialização como ferramenta estratégica para o planejamento local e para a formulação de ações e políticas públicas mais equitativas, contextualizadas e adequadas às especificidades das populações ribeirinhas.
Recebido: 22/02/2026 | Revisado: 26/08/2026 | Aprovado: 28/08/2026
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10.17566/ciads.e2026040
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