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Qual o custo hospitalar do desconforto respiratório neonatal para o Sistema Único de Saúde? Análise nacional dos custos diretos, distribuição regional e variação temporal

Cadernos de Saúde Pública (CSP)
O desconforto respiratório neonatal constitui condição de elevada gravidade clínica e carga econômica para o Sistema Único de Saúde. Este estudo estimou os custos diretos das internações entre 2018 e 2021 e descreveu sua distribuição por diagnóstico, região e período. Realizou-se um estudo de custo de doença, abordagem top-down, com autorizações de internação hospitalar de recém-nascidos de 0 a 27 dias. Os valores foram atualizados para dezembro de 2025 e padronizados por mil nascidos vivos. No período, ocorreram 1.449.694 internações neonatais, das quais, 227.130 (15,7%) foram por desconforto respiratório; cerca de metade foi classificada como “não especificada” pela Classificação Internacional de Doenças, 10ª revisão. O gasto total aproximou-se de 1,4 bilhão de Reais, sendo 69,6% referentes ao cuidado em unidades de terapia intensiva neonatal. O custo por mil nascidos vivos variou de R$ 111.625 na Região Norte a R$ 769.847 na Região Sul. A síndrome do desconforto respiratório apresentou a maior mediana de custo por internação (R$ 8.060). Registrou-se redução das admissões por síndrome do desconforto respiratório e aumento por taquipneia transitória, outros desconfortos e diagnósticos não especificados, com queda nas medianas de custo no período. Entre 2020 e 2021, observou-se maior uso de leitos de terapia intensiva neonatal e aumento da mortalidade proporcional nos casos classificados como “não especificados”. A carga econômica é elevada e heterogênea entre as regiões. As estimativas por diagnóstico e região orientam o planejamento da capacidade de terapia intensiva neonatal e políticas de equidade na atenção perinatal.
DOI
10.1590/0102-311XPT220625
Identificação
Publicado por (Instituto)