Cadernos de Saúde Pública (CSP)
A frequência do transtorno do espectro autista (TEA) tem sido motivo de grande preocupação em todo o mundo, levando a tentativas de estimar os números com base em amostras populacionais, inclusive no Brasil. Não existe estudo epidemiológico nesta área que abranja uma população inteira. Nosso objetivo foi obter o dado de prevalência no Brasil. Este censo completo foi realizado de março a dezembro de 2024 no Município de Coxilha, Rio Grande do Sul. Todas as crianças de 2,5 a 12 anos de idade foram avaliadas com o auxílio da escala Mini-TEA. As crianças com pontuação acima do limiar de sensibilidade de 100% (> 4 pontos) foram então examinadas por um neurologista com experiência em TEA para definir o diagnóstico de acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. Dados demográficos foram coletados. Não houve recusa em participar da pesquisa. Entre as 475 crianças (240 meninos e 235 meninas), encontramos 16 casos de TEA (15 meninos e 1 menina), ou seja, um caso de TEA para cada 30 crianças (1 para 16 meninos e 1 para 235 meninas), resultando em uma proporção de 3,36% de crianças com TEA (6,25% dos meninos e 0,42% das meninas). Todos os casos de TEA também foram diagnosticados por outros profissionais. Apenas o diagnóstico anterior de TEA de uma criança foi descartado. O TEA apresentou alta prevalência e predominância masculina neste censo completo inédito. A prevalência geral é semelhante à relatada nos Estados Unidos, porém maior do que estimativas brasileiras anteriores. Mais pesquisas são necessárias para investigar fatores etiológicos.
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10.1590/0102-311XEN255925
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