Cadernos Ibero-Americanos de Direito Sanitário (CIADS)
Objetivo: analisar as barreiras ao exercício da equidade e da universalidade no atendimento à saúde de populações ribeirinhas em Abaetetuba, Pará, a partir do relato de experiência da atividade interativa ‘Vivências ribeirinhas e saúde no território amazônico’. Metodologia: trata-se de uma pesquisa qualitativa, descritiva-analítica, do tipo relato de experiência, fundamentada na observação participante. Resultados: o território se apresenta como determinante social estruturante, em virtude do isolamento geográfico e a influência dos ciclos de maré que impõem severas barreiras logísticas ao acesso a serviços essenciais. Este contexto é agravado pela precariedade da assistência formal, marcada pela periodicidade insuficiente das visitas da Unidade de Saúde da Família Fluvial, o que compromete a continuidade do cuidado. Evidenciou-se o conflito de racionalidades que culmina na desumanização do atendimento médico, devido ao uso de linguagem técnica inacessível e à falta de escuta qualificada, reforçando a invisibilidade social dessas populações. Conclusão: o isolamento geográfico e as barreiras comunicacionais impedem a equidade no Sistema Único de Saúde, considerando as vulnerabilidades e a invisibilidade ribeirinha, sendo imperativa a necessidade de uma formação médica humanizada, ética e adaptada às realidades amazônicas, que reconheça as vulnerabilidades territoriais como indissociáveis da prática clínica. O estudo ressalta a potência dos saberes tradicionais e das robustas redes de solidariedade comunitária como mecanismos de resistência e cuidado mútuo diante da ausência estatal.
Recebido: 22/02/2026 | Revisado: 14/07/2026 | Aprovado: 30/07/2026
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10.17566/ciads.e2026037
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