Cadernos de Saúde Pública (CSP)
O ensaio analisa as desigualdades sociais e de saúde que afetam mulheres latino-americanas, com foco nas mulheres negras, situando-as nas bases históricas e estruturais da colonialidade do poder, do saber e do ser. Objetiva problematizar como o racismo, o sexismo e o patriarcado – legados da modernidade colonial – conformam a determinação interseccional de iniquidades em saúde, sustentadas por sistemas políticos, econômicos e simbólicos que naturalizam a subalternização dos corpos racializados. Metodologicamente, trata-se de um ensaio teórico-analítico que articula literatura crítica, com base em referenciais decoloniais e interseccionais, e análise de documentos como relatórios e estudos regionais latino-americanos. O percurso argumentativo parte da conceituação de colonialidade em diálogo com autoras do feminismo negro, no sentido de evidenciar como a racialização, a classe e o gênero estruturam a distribuição desigual de oportunidades, riscos e mortes. O texto também examina alguns dados recentes, pré e pós-pandemia de COVID-19, sobre trabalho, violência, pobreza e saúde, destacando as persistentes assimetrias raciais e de gênero, indicando que as desigualdades interseccionadas se expressam de forma contínua e multifacetada nos campos econômico, social e sanitário, perpetuando hierarquias coloniais. Conclui-se que enfrentá-las requer políticas reparadoras e de justiça social com enfoque interseccional e decolonial, fortalecendo a autonomia das mulheres racializadas e a equidade nas políticas públicas de saúde.
DOI
10.1590/0102-311XPT227625
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