Cadernos de Saúde Pública (CSP)
As disparidades em saúde bucal entre indígenas e não-indígenas podem ser vistas como injustas. Embora pesquisadores tenham documentado a precariedade da saúde bucal dos povos indígenas, alguns autores argumentam em favor de uma investigação melhor. Este estudo avaliou o impacto dos problemas orais na qualidade de vida e sua associação de características sociodemográficas, uso de serviços odontológicos e necessidade de dentaduras removíveis na população indígena do Município de Aracruz, Espírito Santo, Brasil. Um estudo transversal foi conduzido no qual 1.084 membros guarani e tupiniquim foram avaliados em relação à sua percepção da qualidade de vida usando o questionário Oral Health Impact Profile (OHIP; Perfil de Impacto em Saúde Bucal). Outras variáveis foram avaliadas por meio de outro questionário adaptado. Utilizou-se os testes qui-quadrado e exato de Fischer para verificar as associações entre cada variável independente e as dimensões do OHIP. Razões de chances foram usadas para avaliar a força das associações encontradas. A prevalência do impacto geral foi de 45,7%, com 495 indígenas relatando impacto na sua qualidade de vida. “Dor física” e “desconforto psicológico” tiveram as maiores porcentagens de impacto. Indivíduos com até 50 anos de idade, com necessidade autodeclarada de próteses parciais removíveis e sem necessidade de dentaduras totais removíveis relataram uma percepção maior do impacto dos problemas orais na sua qualidade de vida. A prevalência do impacto das questões orais na qualidade de vida em aldeias indígenas do Município de Aracruz foi maior do que entre indivíduos não indígenas, o que demonstra a vulnerabilidade dessa população na saúde bucal.
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10.1590/0102-311XEN159825
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