Cadernos de Saúde Pública (CSP)
Nas últimas décadas, o Brasil se tornou um dos maiores consumidores de agrotóxicos do mundo e, além do uso na agricultura, esses compostos são frequentemente usados em ações de saúde pública para combater vetores de doenças endêmicas, por trabalhadores denominados agentes de combate às endemias (ACE), tornando o processo de trabalho nocivo à saúde. O objetivo foi caracterizar a exposição a agrotóxicos, identificar sintomas de intoxicação autorreferidos e a relação com as condições de trabalho e saúde dos ACE do Estado do Rio de Janeiro. Estudo transversal com 606 ACE do Estado do Rio de Janeiro. Foi utilizado um questionário multidimensional autoaplicado de agosto de 2020 a agosto de 2022, e analisado por meio dos testes qui-quadrado e exato de Fisher. Verificou-se a exposição aguda e crônica a múltiplos agrotóxicos, incluindo substâncias carcinogênicas, neurotóxicas e desreguladores endócrinos. Em torno de 51% dos respondentes indicaram dois ou mais sintomas típicos de intoxicação após contato e/ou manipulação. As principais queixas e sintomas foram: dor de cabeça (45,5%), irritação na pele/alergia (38,1%), ardência no nariz e boca, tosse, dificuldades de respirar (33,5%), mal-estar (35,5%), náuseas, vômitos ou diarreia (20%) e fraqueza, tontura ou desmaios (15%). Adicionalmente, foram observados diferentes agravos à saúde dos trabalhadores. Os resultados apontaram para a nocividade das condições e do processo de trabalho dos ACE, com agravos à saúde dos trabalhadores, e a presença de efeitos crônicos. É imprescindível o acompanhamento da saúde desta categoria, e que se priorize práticas para o controle vetorial que não sejam dependentes do uso de agrotóxicos.
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10.1590/0102-311XPT045025
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