Este ensaio relaciona conhecimento crítico da determinação social da saúde, colonialidade e tempo como fundamento epistêmico. O tempo é um elemento relevante de articulação interdisciplinar complexa, embora não conforme reflexão aprofundada na Saúde Coletiva. Resgatam-se bases históricas, e atualiza-se o debate sobre a determinação social da saúde, relevando-se as contribuições de Naomar de Almeida Filho e Jaime Breilh, autores que pensam desde o Sul, fora da hegemonia norte-americana e eurocêntrica. Complexidade, compromisso com a transformação social e sentido descolonizador inspiram a aproximação entre a saúde coletiva, as reflexões de Fernand Braudel e Immanuel Wallerstein, sobre a longa duração e o capitalismo histórico no sistema moderno, e o pensamento decolonial com seu conceito de colonialidade. A concepção braudeliana compreende temporalidades múltiplas e integra, dialeticamente, a mudança e a permanência na longa duração, e a reflexão decolonial insere a colonialidade na longa duração. A colonialidade compõe a determinação social da saúde, ou como dispositivo que produz e reproduz iniquidades econômicas, de gênero, étnico-raciais e opressão social, ou na dimensão epistemológica como colonialidade do saber que orienta a conceituação epidemiológica. A longa duração de Braudel, o sistema-mundo de Wallerstein e o pensamento decolonial são aportes a serem explorados no pensamento em saúde. A integração epistemológica do tempo à reflexão epidemiológica pode revelar apagamentos e (re)constituir contextos históricos e durações cuja complexidade foge à visão fragmentada e congelada dos determinantes produzida pelo funcionalismo cartesiano da epidemiologia dos fatores de risco.