Diversas comunidades indígenas no México estabelecem seu sistema de leis com base em seus usos e costumes. Em Chiapas, 27% da população é indígena e apresenta alta taxa de fertilidade na adolescência. Este trabalho tem como objetivo analisar como os usos e costumes influenciam as uniões e a gravidez precoce em contextos específicos de comunidades rurais e indígenas. Implementou-se um estudo qualitativo descritivo por meio de entrevistas semiestruturadas com informantes-chave que interagem diretamente com a população adolescente. Realizamos um processo indutivo para determinar categorias analíticas e códigos emergentes, formando matrizes por tipo de informante. Ao todo 45 pessoas (16 membros da equipe escolar, 15 prestadores de serviços de saúde e 14 líderes de organizações da sociedade civil) foram entrevistados. Os usos e costumes que caracterizam estas comunidades estão vinculadas a uma percepção tradicional das relações de gênero, o que leva à aceitação e promoção de uniões e gravidez em idade precoce. Foram identificadas três situações que incentivam uniões e gravidez precoces: namoro escondido e coabitação voluntária sem aprovação dos pais; namoro escondido e união/coabitação forçada pelos pais; violência estrutural e sexual (venda, troca de filhas por mercadorias ou animais e/ou estupro). Para garantir o sucesso na implementação de estratégias de prevenção da gravidez na adolescência tanto o contexto individual como o contexto social e cultural devem ser abrangidos.