Este estudo tem como objetivo investigar indícios de adoecimento mental em vítimas da instabilidade do solo nos bairros afetados pela extração de sal-gema de uma mineradora localizada na cidade de Maceió, Alagoas, Brasil. É um estudo quantitativo, descritivo-analítico e transversal. A amostra foi intencional e não probabilística e consistiu em 158 participantes, com “poder de efeito” de 0,50 (efeito de tamanho moderado) e nível de confiança de 99,9%. Foi disponibilizado um link em redes sociais com convite para participar da pesquisa online. A maioria dos participantes era adulta, do sexo feminino, preta/parda, elevado nível de escolaridade e relatou piora percebida na renda mensal, na saúde física e mental e na forma como veem sua vida após a realocação de suas residências. A maioria dos participantes apresentou sintomas depressivos (87,34%), ansiedade moderada e grave (55,7%) e rastreio positivo para transtornos mentais comuns (77,22%). Ao analisar a percepção atual das mudanças que aconteceram na vida dos ex-moradores antes e após serem realocados devido à instabilidade do solo, identificou-se que, após a realocação, aqueles com maior demanda psiquiátrica e ideação suicida apresentaram prevalência mais elevada para sintomas depressivos, sintomas de ansiedade grave e rastreio positivo para transtornos mentais comuns. Esta pesquisa destaca a importância de se pensar em políticas, estratégias e ações de prevenção dos impactos na saúde mental, na recuperação e na reabilitação da saúde em cenários de desastres socioambientais. Implementar medidas preventivas e oferecer suporte psicológico e social adequado pode reduzir os efeitos prejudiciais desses desastres sobre as pessoas afetadas.