Introdução: O Brasil é o maior exportador de carne de frango do mundo. Aves e produtos avícolas são frequentemente associados à contaminação por Salmonella não-tifoide (SNT). Relatos de sorovares de SNT resistentes a antimicrobianos (RAM) em isolados de granjas e produtos avícolas brasileiros são preocupantes. Diante disso, intervenções são implementadas na cadeia avícola para remover contaminantes microbianos, porém podem também exercer uma pressão seletiva bacteriana. Objetivo: Caracterizar os mecanismos de adaptações que ocorrem Salmonella ao longo do processamento de carne de frango e relacionar se estão presentes em sorovares RAM comumente relatados em casos de salmonelose associados a aves no Brasil. Método: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura realizada nas bases de dados PubMed, Embase, Scopus, SciELO e Web of Science. Selecionou-se 823 estudos entre 2017 e 2023. Resultados: Na atualidade, os principais sorovares de SNT isolados de produtos avícolas brasileiros são S. Minnesota e S. Heidelberg. Em ambos foram detectados genes de resistência antimicrobiana e multirresistência. Porém, não há dados oficiais sobre casos de infecções com RAM em humanos causadas por S. Minnesota e S. Heidelberg no Brasil, o que dificulta a avaliação do impacto desses sorotipos na saúde pública do país. Conclusões: A presença de SNT e sua substituição por novos sorovares, na última década, foi observada em toda a cadeia produtiva avícola brasileira. Entretanto, não existem dados oficiais que identifiquem os sorotipos e a RAM nos casos de salmonelose no Brasil. Esta revisão sugere que esta informação é crucial para compreender a adaptação desses sorovares em instalações de processamento de aves e para o desenvolvimento de estratégias eficazes para controlar e prevenir o surgimento de resistência antimicrobiana.