Pular para o conteúdo principal

As memórias socioambientais da etnia terena e a relação com a educação ambiental

Revista Fitos

Este artigo é um dos resultados da pesquisa de doutorado cujo objetivo foi compreender a relação dos indígenas Terena da Aldeia Lagoinha, no Município de Aquidauana, Mato Grosso do Sul, com a natureza e, como seus saberes e memórias socioambientais podem contribuir com a Educação Ambiental brasileira. Buscou-se a valorização dos saberes indígenas sem homogeneizar as tradições ou essencializar, conferindo-lhes uma pureza que não existe. Os dados foram produzidos pelo método da história oral. As entrevistas foram gravadas, transcritas e interpretadas à luz da teoria pós-crítica. A cultura ocidental a partir da modernidade tem transformado a natureza em mercadoria gerando problemas socioambientais, objeto de análise da Educação Ambiental, assim como a resolução desses problemas. As comunidades tradicionais observaram e compreenderam a biodiversidade com a qual conviviam e por meio dessa desenvolveram práticas e técnicas sustentáveis de sobrevivência no uso dos ambientes em que viveram e vivem. Esses saberes são o resultado de traduções para sobrevivência que influenciaram sua cultura e seu ambiente, podendo ser usados em processos formativos em Educação Ambiental em todas as regiões do país, pois, os povos originários estão presentes na sociedade brasileira como detentores de saberes tradicionais valiosos.

DOI
10.32712/2446-4775.2023.1464
Referências do artigo
Carvalho ICM. Educação ambiental: a formação do sujeito ecológico. 3ª ed. São Paulo: Cortez, 2008. Tristão M. A Educação Ambiental e o pós-colonialismo. Rev Educ Públ. 2014; 23( 53/2): 473-89. Disponível em: [https://periodicoscientificos.ufmt.br/ojs/index.php/educacaopublica/article/view/1748/1318] Tristão M. Educação ambiental e a descolonização do pensamento. REMEA - Rev Eletr Mestr Educ Amb. Edição especial, jul. 2016; p.28-49, Disponível em: [https://periodicos.furg.br/remea/article/view/5958/3681]. Santos, B. S. A gramática do tempo: para uma nova cultura política. 2ª ed. São Paulo: Cortez, 2008. Diegues ACS. Etnoconservação da natureza: enfoques alternativos. In: Etnoconservação: novos rumos para a proteção da natureza nos trópicos. São Paulo: USP, 2000. Sato M, Passos LA. Arte-educação-ambiental. Ambiente & Educação. 2009; 14(1): 43-59. Disponível em: [https://periodicos.furg.br/ambeduc/article/view/1136/446]. Godoy AS. Pesquisa qualitativa: tipos fundamentais. Rev Admin Empr. 1995; 35(3): 20-9. Disponível em: [https://doi.org/10.1590/S0034-75901995000300004]. Meyer DE, Paraíso MA (org.). Metodologias de pesquisa pós-crítica em educação. 2ª ed. Belo Horizonte: Mazza Edições, 2012. Brand A. História oral: perspectivas, questionamentos e sua aplicabilidade em culturas orais. Hist Unisinos. 2000; 4(2): 195-227. Freitas EG, Nishida SM. Métodos de estudo do comportamento animal. In: Comportamento animal. Natal: EDUFRN; 2006. Morin E. O paradigma perdido: a natureza humana. Editora Publicações Europa-América; 1973. Loiola AS, Oliveira SF, Ratts AJP. Objetos, ações e processos naturais: de marcadores espaço-temporais a memórias socioambientais. Rev Depart Geogr. 2011; 21: 66-90. Disponível em: [https://www.revistas.usp.br/rdg/article/view/47231/50967]. Seemann J. Mapeando culturas e espaços: uma revisão para a geografia cultural no Brasil. In: Geografia: leituras culturais. Goiânia: Alternativa, 2003. Woodward, K. Identidade e diferença: uma introdução teórica e conceitual. In: Identidade e diferença: a perspectiva dos estudos culturais. Petrópolis: Vozes, 2000. Disponível em: [http://diversidade.pr5.ufrj.br/images/banco/textos/SILVA_-_Identidade_e_Diferen%C3%A7a.pdf]. Kopenawa D, Albert B. A queda do céu: palavras de um xamã yanomami. 1ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2015. Seizer da Silva ACS. Kalivôno Hikó Terenôe: sendo criança indígena Terena do século XXI - vivendo e aprendendo nas tramas das tradições, traduções e negociações. 210p. Campo Grande; 2016. Tese de Doutorado [Programa de Pós-Graduação em Educação] – Universidade Católica Dom Bosco, UCDB, Campo Grande, MS. 2016. [https://docplayer.com.br/131048934-Kalivono-hiko-terenoe-sendo-crianca-indigena-terena-do-no-seculo-xxi-vivendo-e-aprendendo-nas-tramas-das-tradicoes-traducoes-e-negociacoes.html]. UNESCO-UNEP. International strategy for action in the field of environmental education and training for the 1990s. 1987. Disponível em: [https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000080583]. Acesso em: 10 ago. 2020. Brasil. Casa Civil. Lei nº 9.795, de 27 de abril de 1999. Dispõe sobre a educação ambiental, institui a Política Nacional de Educação Ambiental e dá outras providências. De 27 de abril de 1999. Disponível em: [https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9795.htm]. Hall S. Da diáspora: identidades e mediações culturais. Belo Horizonte: Editora UFMG, Brasília: Representação da Unesco no Brasil, 2003. GuattarI F. As três ecologias. Campinas: Papirus, 1990.
Publicado por (Instituto)