O presente trabalho teve como objetivo o levantamento etnobotânico de plantas medicinais para introdução em cultiivos agroecológicos em 9 comunidades rurais do extremo sul da Bahia, Brasil, como alternativa econômica e terapêutica para as populações locais. Foi solicitada a anuência prévia das comunidades e a pesquisa foi submetida a comitê de ética; foi realizado o registro de acesso ao patrimônio genético e conhecimento tradicional associado. Foram utilizadas as seguintes metodologias: observação participante, “bola de neve”, “caminhada na mata”; questionários semiestruturados e cálculo do índice de concordância de usos principais (CUPc). As espécies foram avaliadas de acordo com sua origem e grau de ameaça. Foram citadas 233 espécies, distribuídas em 73 famílias, com destaque para Asteraceae (27 spp.), Fabaceae (18 spp.) e Lamiaceae (16 spp.). Destas, 48% são nativas, 52% são naturalizadas e/ou exóticos e foi encontrada uma espécie vulnerável (Euterpe edulis Mart.) E uma ameaçada de extinção (Cariniana legalis (Mart.) Kuntze). O CUPc revelou 25 spp. com um valor igual ou superior a 50% em pelo menos uma comunidade. Espera-se que esses resultados contribuam na seleção de plantas medicinais que sirvam como alternativa econômica e terapêutica para comunidades vulneráveis, bem como no estímulo à preservação da sociobiodiversidade.
Etnobotânica aplicada a seleção de plantas medicinais para cultivos agroecológicos em comunidades rurais do Extremo Sul da Bahia, Brasil
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10.32712/2446-4775.2021.1091
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