O uso de plantas medicinais é uma prática bastante difundida entre populações rurais no Brasil e mundialmente. A retomada de antigos saberes de culturas passadas e a incorporação de novas práticas nos usos de plantas têm possibilitado a revalorização da etnobotânica em muitas regiões do país, abrindo caminhos para o aproveitamento e conservação de ecossistemas. O presente trabalho objetiva analisar quantitativa e qualitativa o uso medicinal das espécies vegetais a partir dos saberes das comunidades de Galdinópolis e Rio Bonito. Foram utilizadas as metodologias: Observação Direta, "bola de neve", caminhada livre e ordenação NMDS. Foram entrevistados 18 informantes. As plantas citadas foram coletadas, herborizadas e depositadas no herbário do Museu Nacional. Foram reconhecidas 186 espécies pertencentes a 66 famílias botânicas. As indicações para o sistema digestivo foram as mais expressivas (20%), seguidas das indicações para o sistema respiratório (15%), sistema urinário (10%) e sistema nervoso (8%). As análises qualitativas e quantitativas do conhecimento tradicional nas comunidades estudadas mostraram-se complementares na construção de um retrato etnográfico sobre o uso de plantas medicinais em ambas áreas estudadas, valorizando assim a sociobiodiversidade e gerando subsídios para ações públicas que remetem a Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos.