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Mortalidade proporcional e anos potenciais de vida perdidos devido a doenças do fígado entre trabalhadores rurais no Brasil de 2017 a 2022

Cadernos de Saúde Pública (CSP)

O objetivo do estudo foi descrever o perfil e calcular os anos potenciais de vida perdidos (APVP) devido a doenças do fígado em trabalhadores rurais brasileiros de 2017 a 2022. Para isso, foram analisados microdados disponíveis no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), considerando o desfecho como a causa básica da morte com os códigos K70-K77 (Classificação Internacional de Doenças, 10ª revisão − CID-10). O perfil dos trabalhadores foi caracterizado de acordo com variáveis sociodemográficas e as regiões do Brasil, com um grupo de comparação formado por todos os outros trabalhadores brasileiros com idades de 18-69 anos que morreram no mesmo período e pela mesma causa básica. Foram realizados cálculos de mortalidade proporcional, assim como das taxas de APVP e suas razões. No período estudado, foram registrados 15.362 óbitos por doenças do fígado entre trabalhadores rurais brasileiros, com média de idade do óbito de 51,3 anos (±10,7), majoritariamente K70 − doença hepática alcoólica (53,8%). A mortalidade proporcional mais alta foi observada em homens (86,2%), de cor parda (61,1%), com até 49 anos (40,9%), com ≤ 7 anos de escolaridade (52,4%) e residentes do Nordeste (56,9%). A soma total de APVP foi de 382.869 anos entre trabalhadores rurais, com uma taxa de APVP de 4.527 anos por 100 mil trabalhadores e uma razão da taxa de APVP 1,45 vezes maior do que a média nacional. A concentração de mortes devido ao K70 levanta preocupação com a potencial exposição crônica a bebidas alcoólicas. Os resultados destacam as causas precoces de óbitos decorrentes de doenças do fígado entre trabalhadores rurais, especialmente aqueles da Região Nordeste do Brasil e de cor parda.

DOI
10.1590/0102-311XPT101424
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Publicado por (Instituto)