A Fiocruz esteve em festa pelo Dia Internacional da Mulheres e Meninas na Ciência (11/2). A data foi celebrada com solenidade, roda de conversa com as vice-presidentes da instituição, atividades culturais e artísticas e visitas ao Castelo Mourisco e aos espaços do Museu da Vida.
A cerimônia oficial de celebração ocorreu na Tenda da Ciência Virgínia Schall, no Campus Manguinhos. A mesa de abertura contou a com a presença do presidente da Fiocruz, Mario Moreira; da vice-presidente adjunta da Vice-Presidência de Educação, Informação e Comunicação (VPEIC), Eduarda Cesse; da diretora do Departamento de Popularização da Ciência, Tecnologia e Educação Científica do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Juana Nunes; da coordenadora do programa Mulheres e Meninas na Ciência da Fiocruz, Cristina Araripe; da coordenadora de Equidade, Diversidade, Inclusão e Políticas Afirmativas (Cedipa), Hilda Gomes; e da representante da Associação de Pós-Graduandos da Fiocruz (APG-Fiocruz), Heliana Belchior. A programação do Dia Internacional, que movimentou os diversos campi da Fiocruz em todo o país, é uma iniciativa da Coordenação de Divulgação Científica da Vice-Presidência de Educação, Informação e Comunicação (CDC/VPEIC), unidade responsável pelo programa Mulheres e Meninas na Ciência.
Ciência para todas
Emocionado, o presidente da Fiocruz contou sobre sua trajetória, iniciada na rede pública de ensino, e sobre o papel de atividades cientificas escolares para a sua formação. Sua fala ressaltou a celebração como um caminho para que as estudantes entendam a importância da ciência para o desenvolvimento pessoal individual e do país.
“Eu fui estudante da rede pública e sei o quanto é difícil. Lembro que fui visitar o Museu Imperial, em Petrópolis, e o Museu Nacional, aqui no Rio. Aquilo mexeu comigo. Então, estar aqui com vocês se trata de conquistar corações e mentes. Eu gostaria que vocês saíssem daqui convencidas do quão bacana é fazer ciência, que vocês têm chance, possibilidade, têm potência para fazer ciência”, ressaltou.
Em sua participação inicial, Cristina Araripe relembrou o compromisso da instituição com a inclusão das mulheres e meninas na ciência, a defesa da equidade de gênero, inclusão e políticas informativas. “Este é um compromisso institucional inequívoco. Em 2019, a partir da formalização da criação desse programa, muitas pessoas se engajaram nesse movimento, com pesquisa e ações de popularização da ciência, frente aos desafios colocados para a sociedade brasileira”, destacou.
Juana Nunes frisou a importância da Fiocruz na criação de oportunidades para estimular o ingresso das estudantes na ciência. “Vocês estão aqui vivenciando essa experiência de conhecer a grandiosidade dessa instituição. É uma chance para pensar que coisas bacanas vocês podem fazer pela ciência. Agarrem essa oportunidade, pois nós queremos cada vez mais que o Brasil conte com a inteligência de todas vocês. Quanto mais diversidade a gente tiver, mais forte será a ciência do Brasil”, afirmou.
Roda de conversa
Em seguida, foi iniciada a roda de conversa com as vice-presidentes Marly Cruz, (da VPEIC; Alda Cruz, de Pesquisa e Coleções Biológicas (VPPCB); Priscila Ferraz, de Produção e Inovação em Saúde (VPPIS); e Maria de Lourdes Aguiar Oliveira, de Saúde Global e Relações Internacionais (VPSGRI) e com a participação de Eduarda Cesse, da VPEIC. Elas falaram sobre suas trajetórias e destacaram a importância do estímulo ao protagonismo feminino nas áreas científicas, valorizando saberes diversos e enfrentando desigualdades históricas, raciais, territoriais e ambientais.
Com emoção e a voz embargada, Marly Cruz lembrou das dificuldades vividas na sua trajetória por questões de preconceito de gênero, raça e classe e da importância da Fiocruz na continuidade da sua vida científica. “Fiz mestrado e doutorado aqui. O que a Fiocruz trouxe de diferente para mim diferente? Apesar do meu encantamento, o mais importante era o sentimento de pertencimento. Depois de ter sofrido tanta discriminação, estar aqui foi diferente. Eu não tinha muito essa coragem de me mostrar, pois tinha vergonha da minha própria história. Mas a gente tem que ter orgulho da nossa história, seja ela qual for. Isso para mim é o grande aprendizado que a Fiocruz traz”, salientou.
Alda Cruz contou um pouco da sua trajetória na Fiocruz que começou ainda na infância, quando passava em frente ao Castelo Mourisco. Ela destacou a importância da luta da instituição contra a misoginia e o racismo. “Ao longo da minha trajetória, a Fundação sempre foi muito acolhedora, mesmo sendo mulher e enfrentando o racismo. Aqui é um ambiente onde se combate veementemente isso e eu tive a felicidade de estar sempre próxima à pessoas que me acolheram como mulher e negra”, recordou.
A importância da atuação das mulheres na ciência permeou o depoimento de Maria de Lourdes Aguiar. “Trabalhar na Fiocruz é uma missão de vida que a gente abraça. É muito bom conversar com vocês, porque eu entrei aqui muito jovem e foi um despertar para a vida acadêmica e para o papel importante que cada uma de nós tem na melhoria da qualidade de vida da população”, disse.
Priscilla Ferraz chamou atenção para os desafios enfrentados pelas mulheres na conciliação da vida pessoal com a carreira científica. “Tenho um filho de 4 anos que transformou a minha vida e me deu uma visão diferente de conciliação da vida profissional com a pessoal. Consigo tratar isso com mais naturalidade e colocar de uma maneira muito clara no dia a dia. Estar aqui na Fiocruz facilita muito isso, porque a gente está cuidando das pessoas e da saúde da população”, comentou.
Eduarda Cesse enfatizou a necessidade da perseverança e da crença nos objetivos e no potencial pessoal para o crescimento profissional. “Acreditem nas suas potencialidades, na garra que vocês têm. Vocês podem ser protagonistas da vida de vocês e não tem casamento nem relação que as impeça disso. Assistam, a cada dia, a esse crescimento, tentando identificar o que e quem lhe impede de qualquer coisa. Com isso, vocês vão chegar onde quiserem”, afirmou.
Um dia de festa
A celebração, que também contou com a apresentação do Balé Manguinhos, foi o ponto alto da programação que transformou as unidades no Rio de Janeiro e as regionais da Fundação em palcos de vivências e imersões. No Rio de Janeiro, o evento ganhou o nome de Imersão no Verão 2026 e reuniu uma centena de estudantes do Ensino Médio da rede pública, em 40 atividades científicas e culturais e experiências práticas. As atividades contaram com o engajamento de mais de 200 mulheres, entre pesquisadoras e profissionais da saúde e pós-graduandas, de 13 unidades técnico-científicas.
Nas unidades regionais da Fundação houve muita festa e atividades científicas e culturais variadas. No Amazonas, Ceará, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná e Piauí houve atividades em comemoração à data de hoje e, em várias dessas unidades, haverá desdobramentos até o mês de março.