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Experiência alimentar na modernidade urbana

Raca - Revista de Alimentação e Cultura das Américas
Este ensaio examina a transformação da experiência alimentar na modernidade urbana e sua relação com a expansão dos alimentos ultraprocessados. Trata-se de um estudo de natureza qualitativa, fundamentado na análise documental de materiais jornalísticos e publicitários, interpretados à luz de referenciais teóricos das ciências humanas e sociais. Argumenta-se que shopping centers e supermercados operam como paisagens administradas que reorganizam a temporalidade, a memória e a sociabilidade do comer, contribuindo para o empobrecimento da experiência alimentar. A partir de reflexões de Walter Benjamin, analisa-se a inauguração de um shopping center como expressão histórica da mercantilização do espaço urbano. Em seguida, com base na semiologia de Roland Barthes, discutem-se discursos publicitários de refrescos em pó, interpretando o nutricionismo como uma mediação simbólica central do consumo alimentar contemporâneo. Sustenta-se que a consolidação dos alimentos ultraprocessados expressa uma reconfiguração mais profunda da experiência do comer, na qual referências culturais e memoriais são substituídas por atributos técnicos e promessas funcionais. Ao articular a crítica da modernidade à análise do consumo alimentar, o ensaio contribui para ampliar a compreensão das mediações simbólicas que sustentam a mercantilização urbana da comida.
DOI
10.35953/raca.v7i1.240
Identificação
Referências do artigo
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