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Entre retrocessos e avanços: a trajetória da insegurança alimentar em domicílios negros no Brasil (2013-2023)

Cadernos de Saúde Pública (CSP)
O objetivo do estudo foi avaliar a trajetória da insegurança alimentar no país segundo as intersecções de sexo e raça/cor ao longo de 2013 a 2023. Microdados de inquéritos populacionais foram avaliados (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, PNAD 2013; n = 116.196; Pesquisa de Orçamentos Familiares 2018; n = 57.920; PNAD Contínua 2023; n = 173.676). Segurança alimentar e insegurança alimentar foram estimadas com base nos perfis da chefia dos domicílios definidos com base no sexo e raça/cor autorreferidos (homem branco, mulher branca, homem pardo, mulher parda, homem preto, mulher preta). Estimou-se as razões de risco relativo (RRR) por modelos de regressão logística multinomial para testar as trajetórias das associações com a insegurança alimentar. Entre 2013 e 2017/2018, a segurança alimentar reduziu em todos os perfis, seguida pelo aumento no período de 2018 a 2023 principalmente entre famílias chefiadas por mulheres pretas (valor de p < 0,001). As formas mais severas da insegurança alimentar permaneceram associadas significativamente entre famílias chefiadas por pessoas pretas ou pardas, sendo maior naquelas em que a mulher preta ocupava essa posição. Ao longo dos 10 anos dos inquéritos, famílias em insegurança alimentar leve chefiadas por uma mulher branca reduziram os valores de RRR (RRR = 1,2; IC95%: 1,1-1,4). Para aquelas em insegurança alimentar grave, a maior redução de RRR observou-se entre as famílias chefiadas por uma mulher preta (RRR = 2,1; IC95%: 1,8-2,5). Embora a insegurança alimentar tenha reduzido no país em 2023, desigualdades raciais persistem, reiterando a necessidade de políticas públicas para reduzir as iniquidades estruturais enfrentadas pela população negra.
DOI
10.1590/0102-311XPT165825
Identificação
Publicado por (Instituto)