Pular para o conteúdo principal

Enchentes no Rio Grande do Sul, Brasil, em 2024, e seus efeitos na epidemiologia da leptospirose

Cadernos de Saúde Pública (CSP)
Eventos climáticos extremos favorecem a disseminação de doenças de veiculação hídrica. Em 2024, o Rio Grande do Sul, Brasil, enfrentou enchentes históricas, cujo efeito sobre a ocorrência de leptospirose foi analisado neste estudo. Trata-se de um estudo transversal descritivo, realizado com dados secundários de sistemas oficiais de saúde, comparando casos confirmados, internações e óbitos entre abril e julho de 2023 e de 2024. Foram examinadas variações mensais, características sociodemográficas e distribuição espacial dos casos. Considerando o período de abril a julho, o número de casos aumentou de 117 em 2023 para 1.007 em 2024, um crescimento de 7,6 vezes, com pico sendo registrado em maio de 2024 (516 registros). As internações passaram de 89 para 228, destacando-se junho (76 em 2024 contra 15 em 2023), e os óbitos subiram de 7 para 35, com maior aumento correspondendo ao mês de maio (1 em 2023 e 20 em 2024). Apesar do aumento absoluto, a letalidade caiu de 6% em 2023 para 3,5% em 2024. Os grupos mais afetados em 2024 permaneceram homens jovens e brancos na relação com 2023. Mais de 200 municípios notificaram casos em 2024, com destaque para Porto Alegre, Alvorada, Canoas e São Leopoldo (todos integrantes da Região Metropolitana de Porto Alegre), que concentraram quase metade das ocorrências. Os resultados sugerem que as enchentes contribuem para a intensificação da transmissão, a sobrecarga hospitalar e o aumento dos óbitos por leptospirose, reforçando a importância da integração entre a vigilância epidemiológica, a infraestrutura urbana e as estratégias preventivas, a fim de reduzir a vulnerabilidade populacional diante de futuros desastres climáticos.
DOI
10.1590/0102-311XPT111125
Identificação
Publicado por (Instituto)