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Em defesa da caminhada e do uso de bicicleta como deslocamento no Brasil

Cadernos de Saúde Pública (CSP)

Este ensaio tem como objetivo discutir a caminhada e o uso da bicicleta como deslocamento na população brasileira. Evidências científicas oriundas principalmente de países de alta renda mostram tanto contribuições para a saúde das pessoas, apontando que essas atividades físicas podem compor parte importante do cotidiano e contribuem na prevenção de doenças, como para a saúde das cidades, com a diminuição da poluição do ar e sonora e dos problemas provocados pelo excesso de veículos automotores. Discutimos as formas de mensuração em inquéritos nacionais e as novas tecnologias que vêm sendo utilizadas. Análises de tendência mostram uma queda nesse tipo de atividade física entre adultos que vivem nas capitais brasileiras, mas como a caminhada e o uso da bicicleta são analisadas conjuntamente, as interpretações ficam prejudicadas, limitando também o estudo de fatores associados aos diferentes tipos de deslocamentos. Mostramos que algumas capitais brasileiras estão evoluindo no aumento de estruturas ambientais, mas indicadores populacionais mostram que grupos de menor nível socioeconômico têm menos acessos. Discutimos o quanto essas atividades ainda são praticadas por necessidade e sem possibilidades de escolhas no Brasil, onde os custos do transporte ainda são altos e os ambientes, iníquos. No entanto, como a maioria dos estudos no Brasil são transversais, a avaliação dos possíveis efeitos na saúde e a influência de variáveis sociais e de mudanças ambientais nesse comportamento fica prejudicada. Novos inquéritos populacionais e estudos longitudinais que embasem políticas são essenciais para a promoção da caminhada e do uso da bicicleta como deslocamento.

DOI
10.1590/0102-311XPT099324
Edição
Publicado por (Instituto)