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Carga da doença, social e econômica do tabagismo no Brasil e impacto do aumento de impostos para a economia e para a redução da morbimortalidade

Cadernos de Saúde Pública (CSP)
Este estudo buscou estimar a carga da doença, social e econômica do tabagismo no Brasil em 2022 e prever os benefícios do aumento de impostos, com a inclusão dos efeitos do mercado ilegal. Aplicou-se um modelo de microsimulação probabilística de Markov no qual indivíduos a partir de 35 anos foram acompanhados em coortes hipotéticas, quantificando as mortes, os eventos de saúde, o custo direto da assistência médica e o custo indireto por perda de produtividade. Foi desenvolvido um modelo para estimar os ganhos em termos de saúde e econômicos a partir de cenários de aumento de impostos em dez anos. Obteve-se os dados de prevalência do tabagismo, da estrutura demográfica brasileira, de mortalidade e morbidade em bases de dados oficiais e na literatura. Os recursos de saúde utilizados foram obtidos por meio da literatura e de consultas a especialistas. O tabagismo causou 174 mil mortes e 5,7 milhões de anos de vida perdidos por morte prematura e por incapacidade. A carga econômica foi de R$ 153 bilhões, sendo R$ 67 bilhões atribuídos ao custo direto e R$ 45 bilhões ao custo indireto. O custo do cuidador informal alcançou R$ 41 bilhões. No cenário com o mercado ilegal de produtos do tabaco, um aumento de 50% no preço dos cigarros tem o potencial de gerar benefícios econômicos de R$ 161 bilhões em dez anos. A Reforma Tributária atualmente em curso é oportuna para que o país possua uma política de preços e impostos permanente.
DOI
10.1590/0102-311XPT002425
Identificação
Publicado por (Instituto)