Cadernos de Saúde Pública (CSP)
O vírus Chikungunya (CHIKV) foi detectado pela primeira vez no Brasil em 2014, tornando-se uma preocupação de saúde pública relevante. Inicialmente, as regiões metropolitanas serviram como porta de entrada, mas a doença disseminou-se para municípios menos populosos, desafiando as estratégias de monitoramento e controle focadas nas grandes cidades. Este estudo apresenta uma análise descritiva da disseminação do CHIKV no Brasil até 2022, examinando as diferenças regionais. Os dados referentes aos casos de chikungunya nos municípios foram extraídos do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) para o período de 2014 a 2022. Os dados de tamanho populacional foram obtidos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As datas de introdução da chikungunya nos estados foram organizadas em linhas do tempo e mapas. Propôs-se um índice de descentralização para calcular a razão entre a incidência nos municípios não metropolitanos e metropolitanos. A análise revelou que a disseminação da chikungunya das regiões metropolitanas para as não metropolitanas variou entre os estados. Como esperado, a maioria dos estados apresentou inicialmente taxas de incidência metropolitana mais elevadas, com algumas exceções, como o Amapá, situado na fronteira com a Guiana Francesa. O Nordeste manteve-se como epicentro durante o período do estudo, mas diferenças regionais significativas nos padrões da doença foram observadas em todo o país. Diversos fatores, incluindo a suscetibilidade ambiental e mudanças demográficas como a migração interna, podem ter facilitado a disseminação diferencial da chikungunya para regiões menos densamente povoadas. Em conclusão, o índice demonstrou ser útil para monitorar a dinâmica de disseminação da doença, evidenciando áreas que demandam medidas específicas de vigilância e controle para além dos grandes centros urbanos.
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10.1590/0102-311XEN129025
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