Cadernos de Saúde Pública (CSP)
No Brasil, as taxas de infecção por HIV estão aumentando entre jovens de 15-24 anos. Os esforços de prevenção frequentemente ignoram determinantes sociais da saúde como barreiras relacionadas a comportamentos de saúde. Este estudo investiga como a violência comunitária influencia o risco de HIV entre os jovens. Realizamos uma análise qualitativa secundária de entrevistas semiestruturadas com jovens (N = 53) de duas periferias urbanas em São Paulo e Porto Alegre, utilizando o arcabouço do ambiente de risco para HIV. Nossas descobertas indicam que a violência policial e a atividade de gangues são generalizadas em espaços frequentados por jovens, perturbando o dia a dia e criando um ambiente de medo e intimidação que limitam a liberdade de circulação. A violência acelera as inseguranças sociais, especialmente entre jovens do sexo masculino e jovens negros, que são alvos de maneira desproporcional. O uso de substâncias liga a violência comunitária ao risco de HIV. A violência comunitária dificulta a realização educacional e as oportunidades de emprego, perpetuando ciclos de pobreza e instabilidade. Assaltos e a pressão econômica forçam os jovens a realizarem atividades de alto risco, aprofundando-os ainda mais na violência e aumentando a vulnerabilidade ao HIV. As práticas policiais, caracterizadas por intervenções agressivas, agravam o ambiente de risco de HIV ao fomentar a desconfiança e impulsionar membros da comunidade a se aproximarem de gangues em busca de proteção. Embora testes e tratamentos gratuitos para HIV estejam disponíveis, barreiras como a violência comunitária dificultam o acesso ao atendimento. Este estudo reforça a necessidade de intervenções que abordem as causas profundas da violência para melhorar o ambiente de risco de HIV e as disparidades de saúde entre jovens brasileiros em situação de risco.
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10.1590/0102-311XEN041825
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