Revista Fitos
Ageratum conyzoides L. (Asteraceae), espécie popularmente conhecida como mentrasto ou erva-de-São-João, tem registros de uso medicinal em toda a América tropical. No Brasil, há relatos de aplicação para problemas digestivos, inflamações, reumatismo e como antidiarreico, entre outras indicações. No acervo da Casa Granado, constam menções ao uso tradicional do chá da planta inteira como tônico (antianêmico), diurético, carminativo, antidiarreico, anti-inflamatório para reumatismo e no auxílio em inflamações de bexiga (catarro vesical). O uso tópico (compressas ou banhos) é citado contra reumatismo e inflamações. Pesquisas pré-clínicas corroboram as atividades antioxidante, antimicrobiana, anti-inflamatória, analgésica, antiespasmódica e gastroprotetora, e indicam relativa segurança em doses moderadas no curto prazo. Dentre os constituintes químicos, destacam-se esteroides, terpenoides e flavonoides, particularmente polimetoxiflavonas. Entretanto, a presença de alcaloides pirrolizidínicos e os estudos de toxicidade em animais sugerem a necessidade de cautela no uso prolongado ou em altas doses. Há lacunas quanto a ensaios clínicos em humanos, de modo que o uso deve ser criterioso e supervisionado. O potencial fitoterápico da planta, aliado à ampla distribuição e fácil propagação, faz de Ageratum conyzoides um candidato interessante para investigações adicionais de segurança e eficácia clínica.
DOI
10.32712/2446-4775.2026.1864
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