Neste artigo, analisamos como os profissionais de saúde dos ambulatórios especializados do Município do Rio de Janeiro, Brasil, que prestam cuidados aos adolescentes com condições crônicas de saúde e deficiência, entendem e realizam a transição de cuidados desse grupo para os serviços de adulto. Participaram, entre o segundo semestre de 2023 e o primeiro trimestre de 2024, 26 profissionais de saúde que atendem adolescentes. Foram utilizados questionários compostos por perguntas abertas e fechadas, através da plataforma Google, e as respostas foram analisadas através da técnica de análise temática. Os resultados apontaram que o conceito de transição de cuidados apresenta empregabilidade imprecisa; que pode ser identificada como transferência, alta, liberação ou desligamento. Dentre os critérios utilizados para caracterizar transição de cuidados, foram levadas em consideração a idade, resolução de queixas e a própria alta. Já as estratégias utilizadas foram: contato direto com o profissional de referência para o serviço de adulto, encaminhamento para a clínica da família visando regulação de vaga, consulta de retorno no serviço de origem, entrega de relatório final, debates entre a equipe multiprofissional e orientações para a família. Em suma, a implementação de um processo de transição de cuidados organizado, planejado e valorizado pelos profissionais da saúde, mostra-se imprescindível para assegurar a defesa do direito à continuidade do cuidado de adolescentes com deficiência e condição crônica para o serviço de adulto, evitando impactos negativos nas condições de saúde dessa população.