Cadernos de Saúde Pública (CSP)
Examinamos as trajetórias de adiposidade (índice de massa corporal – IMC – e percentual de gordura corporal – %GC) dos 11 aos 22 anos de idade de acordo com gênero e características maternas. Os dados foram provenientes da coorte de nascimentos de Pelotas, Rio Grande do Sul, Brasil, de 1993. As medidas de IMC (n = 3.072) e %GC (n = 3.058) foram avaliadas em quatro momentos (11, 15, 18 e 22 anos). Utilizou-se uma abordagem de modelagem baseada em grupo por sexo para identificar as trajetórias, que foram descritas de acordo com as características maternas usando o teste qui-quadrado de Pearson. Três trajetórias de IMC foram identificadas: “sempre adequado”, “sempre com sobrepeso” e “sempre com obesidade”. Cerca de 40% da coorte foi classificada como “sempre com sobrepeso” ou “sempre com obesidade”. Para a %GC, foram observadas três trajetórias entre os homens, incluindo uma com %GC consistentemente baixo ao longo do tempo, enquanto entre as mulheres, todas as trajetórias mostraram um aumento na %GC a partir da adolescência. O sobrepeso materno foi associado a trajetórias de adiposidade mais elevadas em ambos os sexos. Homens com maior renda familiar e menor escolaridade materna apresentaram maior prevalência de trajetórias de alta adiposidade tanto para IMC quanto para %GC. Entre as mulheres, aquelas de baixa renda apresentaram maior prevalência das trajetórias “sempre com sobrepeso” ou “sempre com obesidade”. As trajetórias de adiposidade de homens e mulheres pertencentes à coorte de nascimentos de 1993 sugerem aumentos significativos na gordura corporal dos 11 aos 22 anos de idade, e as trajetórias ascendentes são ainda mais pronunciadas quando as mães desses jovens apresentavam sobrepeso no início da trajetória.
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10.1590/0102-311XEN030725
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