Cadernos de Saúde Pública (CSP)
O objetivo foi analisar a tendência temporal e o perfil clínico-epidemiológico da coinfecção por leishmaniose visceral (LV) e HIV no Brasil entre 2009 e 2024. Estudo ecológico de série temporal e transversal descritivo, baseado em dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) de oito estados com maior incidência de LV: Bahia, Ceará, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Pará, São Paulo e Tocantins. As taxas anuais de coinfecção foram calculadas pela razão entre o número de casos notificados de coinfecção LV/HIV e a população residente no respectivo estado no mesmo ano, multiplicada por 100 mil. A tendência temporal foi avaliada por regressão segmentada, estimando a variação percentual anual (APC, acrônimo em inglês). Realizaram-se análises de correlação (Spearman), associações categóricas (qui-quadrado de Pearson), diferenças de médias (t de Student) e regressão logística binária (odds ratio – OR) para sintomas. Verificou-se tendência crescente da taxa de coinfecção na Bahia (APC = 4,2), Mato Grosso do Sul (APC = 19,7), Pará (APC = 10,4) e Tocantins (APC = 8,4). Ceará e Minas Gerais apresentaram crescimento seguido de queda. Observou-se correlação positiva moderada entre casos de LV e coinfecção (ρ = 0,313; p < 0,001). Coinfectados tinham maior média de idade (37,9 vs. 27,3 anos; p < 0,001) e predomínio masculino (72,4% vs. 59,8%). A raça parda foi prevalente, com maior proporção de pretos entre os coinfectados. Sintomas associados à coinfecção incluíram febre (OR = 2,44), icterícia (OR = 1,69) e edema (OR = 1,56); emagrecimento, hepatomegalia e infecção associada reduziram a chance. A coinfecção LV/HIV apresenta padrões heterogêneos, com tendências crescentes nos estados endêmicos e segmentos temporais distintos entre Unidades Federativas. Os achados reforçam a necessidade de estratégias integradas de vigilância, diagnóstico e tratamento.
DOI
10.1590/0102-311XPT163425
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