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“Talvez seja só a idade”: representações sobre adoecimento por brasileiros com doença de Alzheimer

Cadernos de Saúde Pública (CSP)

Perspectivas distintas sobre o adoecimento podem resultar de diferentes culturas. Este estudo explora as representações dos brasileiros sobre a doença de Alzheimer (DA), no que diz respeito ao seu adoecimento. É um estudo qualitativo, que foi realizado com 12 participantes (DA leve e moderada) utilizando roteiro de entrevista semiestruturada. A teoria da Análise Fenomenológica Interpretativa orientou a análise das entrevistas. Os relatos dos participantes resultaram em temas, os quais produziram cinco categorias analíticas. A categoria biológica (6 participantes) emergiu do grupo que reconheceu seus déficits de memória. Dois participantes deste grupo mencionaram déficits de memória e rotularam sua condição como uma doença, sem o uso de rótulos diagnósticos. Três participantes reconheceram déficits de memória e relacionaram suas dificuldades ao processo de envelhecimento. A categoria psicossocial resultou de relatos de dois participantes, que reconheceram déficits de memória e os atribuíram a um processo de erosão na função da memória e a problemas com aborrecimentos cotidianos. A categoria mista (1 participante) incluiu aspectos biológicos, psicossociais e culturais. A participante rotulou a doença como “Zazá”. Esta expressão foi considerada um eufemismo cultural. Duas categorias adicionais foram identificadas: uma categoria com dois participantes incertos sobre como entender sua condição, e a última incluiu um participante que não demonstrou consciência sobre sua condição. O estudo concluiu que as representações sobre o adoecimento dos participantes com DA são influenciadas por contextos emocionais, sociais e culturais e também estão profundamente enraizadas nos mecanismos de enfrentamento individuais.

DOI
10.1590/0102-311XEN173224
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