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Surdos que se comunicam por meio da língua de sinais: a complexidade do acesso aos serviços de saúde

Cadernos de Saúde Pública (CSP)

O objetivo foi analisar o acesso à saúde de indivíduos surdos que se comunicam por meio da Língua Brasileira de Sinais (Libras), com 18 anos ou mais, moradores na Região Metropolitana de Campinas, São Paulo, Brasil, comparando o sistema público com o privado. Trata-se de estudo epidemiológico descritivo transversal. O instrumento de coleta de dados foi um formulário on-line acessível em Libras. Foram feitas análises estatísticas de regressão logística, quadros de contingência e de frequência e georreferenciamento. Participaram 316 indivíduos, cuja maioria considerou ruim a comunicação com profissionais da saúde, seja da rede pública (64,3%) ou da rede privada (67,6%). A probabilidade de haver uma boa comunicação é somente de 40,47%, no melhor dos casos (usuário da rede pública e com autoavaliação positiva de seu estado de saúde). Surdos usuários de Libras e unicamente da rede pública apresentaram 22% mais chances de ter uma boa comunicação com o profissional de saúde quando comparados com aqueles que frequentam a rede privada. Tanto os atendimentos nos serviços públicos de saúde quanto nos serviços privados carecem de acessibilidade linguística e comunicacional, sobretudo, pelo desconhecimento da Libras por parte dos profissionais.

DOI
10.1590/0102-311XPT00211524
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Publicado por (Instituto)