Cadernos Ibero-Americanos de Direito Sanitário (CIADS)
Objetivo: analisar a regionalização da saúde no estado do Amazonas, considerando as desigualdades relacionadas à vasta extensão territorial, dispersão populacional e complexidade socioeconômica da região, compreendendo como a assistência à saúde se relaciona com o desenho regional vigente, segundo a percepção dos gestores municipais. Metodologia: estudo transversal, quantitativo e descritivo-analítico, realizado com entrevistas estruturadas aplicadas a 97% dos secretários municipais de saúde do Amazonas. Investigaram-se os modais de transporte, a presença de casas de apoio, os encaminhamentos para exames e tratamentos especializados, o acesso aos serviços de urgência e emergência, o conhecimento sobre os polos regionais e os mecanismos de regulação intra e inter-regional. Resultados: observou-se forte concentração dos serviços de média e alta complexidade em Manaus, responsável por mais de 70% dos encaminhamentos de média complexidade e cerca de 85% da alta complexidade. Cerca de 60% dos gestores relataram dificuldades logísticas no transporte; 55% apontaram ausência ou insuficiência de casas de apoio; 68% identificaram obstáculos no acesso a exames; 72% mencionaram fragilidades na regulação; e 47% desconheciam a completude dos serviços disponíveis nos polos regionais. Os achados evidenciam desigualdades regionais associadas às distâncias geográficas, à dependência de transporte fluvial e aéreo e à concentração histórica da assistência especializada na capital. Conclusão: a regionalização da saúde na Amazônia requer políticas públicas adaptadas às especificidades territoriais, sustentadas por governança regional fortalecida e investimentos contínuos em infraestrutura e transporte sanitário, contribuindo para maior equidade no acesso aos serviços de saúde.
Recebido: 20/02/2026 | Revisado: 22/05/2026 | Aprovado: 27/05/2026
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10.17566/ciads.e2026031
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