Trabalho, Educação e Saúde (TES)
A expansão neoliberal de livre mercado induziu a atuação privada nas políticas públicas, em especial com crescente privatização do ensino superior. Este estudo teve por objetivo analisar a privatização do ensino superior em saúde no Brasil, destacando suas principais características. Trata-se de um estudo transversal com dados on-line relacionados à oferta de cursos e vagas de graduação em saúde presenciais no Brasil. Foram consideradas 14 graduações, reconhecidas ou autorizadas até setembro de 2024. Destacaram-se características da criação e da distribuição dos cursos e vagas ofertadas. Verificaram-se 7.996 cursos ativos e 1.149.609 vagas de bacharelado em saúde presenciais no Brasil. As instituições privadas corresponderam a 88,2% dos cursos e 94,4% das vagas ofertadas, a maioria em instituições com fins lucrativos, em centros universitários, nas capitais e nas regiões metropolitanas. O ensino superior em saúde no Brasil apresenta excessiva oferta privada, com desigual distribuição regional e concentração nos locais mais ricos e centrais do país, em detrimento de áreas com maior necessidade de saúde. Esse padrão de expansão pode aprofundar desigualdades no acesso à formação em saúde e dificultar a disponibilidade de profissionais qualificados em regiões historicamente desassistidas.
Imagem: USP Imagens/Caio de Benedetto
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