O presente ensaio aciona a noção de encantamento para construir um diálogo antirracista e decolonial com o campo da saúde mental e atenção psicossocial. Problematiza as bases racistas que produzem o silenciamento, o apagamento e a homogeneização das experiências no interior da Reforma Psiquiátrica e da Luta Antimanicomial no Brasil e, aponta, para a necessidade de acionar o aquilombamento como componente norteador da dimensão ético-política e a construção de uma práxis clínica-política que potencialize a vida e produza encantamento. Em uma perspectiva feminista marxista interseccional e decolonial colocam-se na gira três questões problematizadoras: a urgência do encantamento da Reforma Psiquiátrica e da Luta Antimanicomial; o aquilombamento como componente da dimensão ético-política; e a clínica da delicadeza como práxis. Nesse sentido, o ensaio visa trazer novas perspectivas para o campo da saúde mental, propondo uma outra abordagem teórica, política e clínica para a atenção psicossocial baseada em experiências afrodiaspóricas.