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Paracetamol: estudo da Visa reforça segurança da dose padrão, mas alerta para riscos de toxicidade

22/04/2026

O paracetamol, ou N-acetil-p-aminofenol (APAP), um dos analgésicos mais consumidos no mundo, volta ao centro do debate científico diante de preocupações crescentes sobre sua segurança em doses elevadas. Embora amplamente considerado seguro quando utilizado corretamente, a toxicidade inadvertida associada ao medicamento segue como um problema de saúde pública global.

Um estudo recente publicado na Revista Visa em Debate, intitulado "Paracetamol: revisão de escopo sobre a dose segura e o limite máximo de exposição diária permitida" buscou investigar a segurança da dose máxima atualmente recomendada — 4 gramas por dia — além de calcular a chamada exposição diária permitida (PDE), indicador que estima a quantidade de uma substância que pode ser ingerida diariamente ao longo da vida sem riscos significativos à saúde.

A pesquisa foi conduzida por meio de uma revisão de escopo baseada nas diretrizes do Joanna Briggs Institute (JBI), com relato estruturado conforme o checklist PRISMA-ScR. Para o cálculo do PDE, os pesquisadores seguiram recomendações da Agência Europeia de Medicamentos (EMA) e do Conselho Internacional para Harmonização de Requisitos Técnicos para Produtos Farmacêuticos de Uso Humano.

Os resultados apontaram um valor de PDE de 51,1 mg por dia para o paracetamol. Isso significa que a exposição contínua a essa dose ao longo da vida dificilmente causaria efeitos adversos. Em contraste, o limite terapêutico de até 4 g/dia permanece seguro, desde que respeitado.

O estudo também identificou fatores que podem aumentar significativamente o risco de toxicidade do APAP. Entre eles estão: sexo feminino, idade superior a 40 anos, histórico de abuso de álcool, estados de desnutrição ou jejum prolongado, além do uso concomitante de determinados medicamentos — como fenitoína, isoniazida e inibidores de protease, incluindo ritonavir e zidovudina.

As conclusões reforçam que o paracetamol continua sendo uma opção eficaz e segura para o controle da dor, desde que utilizado dentro das recomendações médicas. No entanto, os achados destacam a importância de atenção individualizada, considerando fatores clínicos e hábitos do paciente que podem alterar sua segurança.

Especialistas alertam que, apesar de ser um medicamento de venda livre em muitos países, o uso indiscriminado ou associado a outras substâncias pode elevar o risco de danos hepáticos, principal efeito adverso relacionado ao paracetamol.

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