Este trabalho objetivou mapear controvérsias relacionadas à interação da descontinuidade do esquema vacinal contra a COVID-19 e a hesitação vacinal, em um município de Pernambuco, Brasil. A pesquisa foi orientada pela cartografia das controvérsias, perspectiva metodológica ancorada na Teoria Ator-Rede. Realizou-se entrevistas com 36 adultos e idosos, com esquema vacinal incompleto, oito profissionais e cinco gestores de saúde, além da confecção do diário de campo para a produção dos dados. Foram identificados três perfis de usuários: confiantes, hesitantes e vacinados por exigência. Vinte e um usuários relataram a intenção em não prosseguir com a vacinação, caso fosse recomendado. Agrupamentos temáticos subsidiaram mapear três controvérsias: a disputa acerca da confiança no cenário da vacinação contra a COVID-19, a disputa sobre a informação, e as disputas na ampliação da cobertura vacinal diante das barreiras de acesso à vacinação. Entre os resultados, destacaram-se que a adesão vacinal não se configurou sinônimo de confiança na vacinação, crenças e sentimentos como confiança e medo estiveram atrelados às experiências pessoais, notícias falsas e debates políticos e ideológicos, com características distintas entre os perfis. A responsabilidade coletiva apresentou-se como importante elemento para o fortalecimento da vacinação, sendo compreendida em articulação com a superação das barreiras vacinais. O estudo apontou a diversidade de atores que atravessaram a descontinuidade do esquema vacinal contra a COVID-19, indicando a necessidade de políticas de aceitação da vacinação, com o fortalecimento da confiança vacinal e, consequentemente, ampliação da adesão e cobertura vacinal.