Cadernos de Saúde Pública (CSP)
O objetivo foi analisar como mulheres transexuais e travestis, na Bahia (Brasil), narram a constituição de suas identificações de gênero na juventude e a construção de corporalidades, articulando memória coletiva e normas de gênero. Estudo qualitativo em duas cidades (interior e capital), com 12 participantes nomeadas por pseudônimos. Realizaram-se entrevistas semiestruturadas (2020-2021), diário de campo e análise de conteúdo temática (Bardin), com gerenciamento no Atlas.ti, dupla codificação, triangulação e revisão por pares. Os relatos evidenciaram o papel da família, da escola, da religião e do território como quadros sociais de memória que estruturam lembranças; mostraram também como a hormonização precoce, o uso de tecnologias corporais e a experiência de patologização conformaram negociações de reconhecimento e acesso ao cuidado. Além disso, as narrativas destacaram a produção de nomes e posicionamentos identitários como atos performativos situados. A memória opera como prática social regulatória e como potência performativa de resistência, o que implica políticas de saúde que superem a patologização e reconheçam especificidades de travestis e mulheres transexuais.
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