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Dize-me o que comes e eu te direi quem és? Cultura alimentar, colonialidade e silenciamentos no território do Bixiga (São Paulo)

Raca - Revista de Alimentação e Cultura das Américas
Este artigo analisa a cultura alimentar no território do Bixiga, em São Paulo, como um campo de disputa simbólica atravessado por processos históricos de colonialidade, produção de memória e hierarquização cultural. A partir de uma abordagem qualitativa de inspiração etnográfica, articulando observação situada, análise documental e interpretação crítica de narrativas históricas e contemporâneas, investiga como determinadas matrizes culturais são legitimadas enquanto outras permanecem invisibilizadas. Argumenta-se que, embora o bairro seja amplamente reconhecido por uma identidade associada à imigração italiana, essa narrativa hegemônica participa de processos de apagamento das presenças afro-brasileiras que historicamente constituíram o território. Ao articular contribuições da antropologia da alimentação, dos estudos decoloniais e da crítica contemporânea, demonstra-se que a alimentação opera simultaneamente como linguagem social e como dispositivo político, revelando disputas entre visibilidade e invisibilidade, centralidade e margem. O artigo propõe, assim, uma leitura decolonial da cultura alimentar urbana, compreendendo-a como prática de memória, resistência e reexistência.  
DOI
10.35953/raca.v7i1.242
Identificação
Referências do artigo
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