Cadernos de Saúde Pública (CSP)
Este estudo tem como objetivo analisar o uso relatado de dipirona pela população brasileira. Examinamos dados da Pesquisa Nacional de Acesso, Utilização e Promoção do Uso Racional de Medicamentos (PNAUM), realizada entre setembro de 2013 e fevereiro de 2014, abrangendo áreas urbanas das cinco regiões do país. A população do estudo incluiu indivíduos de todas as idades, com uma amostra mínima de 960 entrevistas por domínio amostral, totalizando 41.433 respondentes e representando aproximadamente 17 milhões de brasileiros. Avaliamos características socioeconômicas e demográficas, perfil de doenças crônicas e agudas, uso de medicamentos, percepções de saúde e eficácia e segurança do uso de dipirona, isoladamente ou em combinação com outros medicamentos. A regressão de Poisson foi utilizada para estimar as razões de prevalência (RP) ajustadas. Os resultados indicaram que 10,4% dos entrevistados relataram usar dipirona, sendo que 98,3% desses usuários a utilizaram para condições agudas, principalmente dor (77,9%) e febre (14,5%). Após ajuste para variáveis, o uso de dipirona para dor foi mais comum entre mulheres (RPa = 1,66; IC95%: 1,47-1,88) e entre aquelas residentes no Centro-oeste (RPa = 1,32; IC95%: 1,04-1,67), especialmente em presença de condições crônicas ou eventos agudos. O uso para febre foi semelhante entre gêneros, porém mais comum em crianças menores de dez anos (RP = 0,62; IC95%: 0,46-0,82). Metade dos usuários combinou a dipirona com outros medicamentos, sendo essa prática dez vezes mais frequente para dor do que para febre. Por fim, a eficácia da dipirona foi amplamente percebida como positiva, com poucos relatos de efeitos adversos.
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10.1590/0102-311XEN093125
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