Cadernos de Saúde Pública (CSP)
Os fluxos migratórios têm se intensificado com o aumento da migração de mulheres da América Latina e de outros continentes para o Brasil, bem como com a emigração de brasileiras para o Norte Global. Considerando a realidade da feminização das migrações e a importância de compreender as opressões vivenciadas pelas mulheres em face aos seus deslocamentos, esta revisão de escopo analisa, sob uma perspectiva interseccional, as evidências científicas sobre a saúde e as expressões de violências contra mulheres migrantes no Brasil e mulheres brasileiras no exterior. As bases de dados utilizadas foram BVS, Cochrane, Embase, PubMed, SciELO, Scopus e Web of Science, empregando-se descritores relacionados à temática. Ao todo, 26 documentos foram incluídos para análise. Sobre a saúde das migrantes, os resultados indicam que a migração tem implicações para o acesso e a atenção à saúde, a saúde sexual e reprodutiva, o adoecimento mental e a manifestação de sofrimento, além das barreiras de acesso aos serviços de saúde decorrentes de aspectos interculturais e linguísticos. Tanto as migrantes no Brasil quanto as brasileiras no exterior sofrem com as violências interseccionais, incluindo expressões de racismo, xenofobia, desigualdade racial e de gênero no mercado de trabalho, violência obstétrica, sexual e patrimonial, e condições análogas à escravidão, somadas à hipersexualização das mulheres brasileiras no Norte Global. Contudo, apesar dos desafios, opressões e violências, a revisão revela as resistências e os protagonismos das migrantes ao longo de suas trajetórias, à medida que estratégias individuais e coletivas são desenvolvidas para garantir seus direitos enquanto migrantes e mulheres.
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10.1590/0102-311XEN197625
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