Cadernos de Saúde Pública (CSP)
A associação entre circunferência da cintura (CC) e hipertensão arterial e a sua possível variação por sexo ou categorias de índice de massa corporal (IMC) para o continente americano carece de uma avaliação profunda. Buscamos avaliar se há uma associação entre obesidade abdominal e hipertensão arterial e se sexo e IMC configuram modificadores de efeito dessa associação por uma análise secundária dos dados da Pesquisa Demográfica de Saúde Familiar do Peru. Indivíduos com idade entre 20 e 69 anos foram incluídos neste estudo. A hipertensão, definida pelo Oitavo Comitê Nacional Conjunto, foi escolhida como desfecho, enquanto a obesidade abdominal (usando pontos de corte de CC com base no Painel III de Tratamento de Adultos do Programa Nacional de Educação em Colesterol, 2001) foi selecionada como exposição. A regressão de Poisson foi utilizada para relatar razões de prevalência (RP) e intervalos de confiança de 95% (IC95%). Dados de 144.156 indivíduos foram analisados [idade média de 41,4 (DP = 13,4), 54,8% de mulheres]. As prevalências de obesidade abdominal e hipertensão totalizaram 45,4 e 19,5%, respectivamente. O modelo ajustado associou a obesidade abdominal com maior prevalência de hipertensão arterial (RP = 1,31; IC95%: 1,24-1,39). O sexo não configurou um modificador de efeito da associação, mas o IMC sim. Assim, os indivíduos obesos e com obesidade abdominal apresentaram a associação mais forte com a hipertensão arterial (RP = 2,76; IC95%: 2,58-2,94) do que aqueles com IMC normal e sem obesidade abdominal. Nossos resultados evidenciam uma associação positiva entre obesidade abdominal e hipertensão dependendo da categoria de IMC. Aqueles obesos tanto pelo IMC quanto pela CC apresentaram a associação mais forte com a hipertensão. Nossos resultados sugerem que o IMC e a CC oferecem marcadores úteis para hipertensão.
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10.1590/0102-311XEN143724
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