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Oportunidades perdidas: contatos de adolescentes vítimas de homicídio com instituições do Estado

Cadernos de Saúde Pública (CSP)
No Brasil, os homicídios têm afetado profundamente os padrões de mortalidade desde os anos 1980, com impactos significativos na população adolescente. Este estudo tem como objetivo descrever os contatos dos adolescentes (10 a 19 anos) vítimas de homicídio (2015 a 2020) e as instituições públicas no município de São Paulo, destacando as vulnerabilidades programáticas e oportunidades perdidas de prevenção. Utilizando a metodologia de record linkage, descrevemos os contatos institucionais dos adolescentes nas políticas públicas (saúde, educação, assistência social, justiça e segurança pública). Nossos resultados indicam que as vítimas de homicídio eram predominantemente do sexo masculino (94%) e negras (67%), com baixos níveis de escolaridade e alta taxa de abandono escolar (68%), vivendo em situação de vulnerabilidade socioeconômica. A maioria tinha histórico de conflito com a lei (57%) e, entre esses, 69,2% cumpriram medida de internação socioeducativa na Fundação Casa. A principal causa de morte entre os adolescentes no período foi a atividade policial (55%). Ao mapear os contatos institucionais dos adolescentes nossa pesquisa identifica oportunidades perdidas de prevenção. A colaboração intersetorial poderia reduzir significativamente os homicídios de adolescentes, enfatizando a necessidade de abordagens abrangentes, baseadas em direitos, para enfrentar as vulnerabilidades sociais. Apesar dos avanços sociais notáveis, São Paulo, a cidade mais rica do Brasil, continua a apresentar marcada desigualdade, evidente nas diferentes perspectivas de vida de seus habitantes.
DOI
10.1590/0102-311XPT120224
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Publicado por (Instituto)