Cadernos de Saúde Pública (CSP)
O aborto induzido inseguro é uma questão de saúde pública responsável pela alta morbimortalidade no ciclo gravídico-puerperal. Diante da negligência do Estado para lidar com o problema, algumas estratégias de enfrentamento têm sido propostas. Uma delas é a atuação de profissionais de saúde na perspectiva de redução de danos relacionados aos abortos inseguros. Este estudo buscou identificar médicos e médicas da atenção primária à saúde que atuam nessa perspectiva, na cidade de São Paulo, Brasil, para compreender os desafios relacionados ao exercício desse cuidado. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de abordagem hermenêutico-dialética, por meio de entrevistas semiestruturadas com oito profissionais. Os resultados indicaram que essa atuação encontra muitos desafios, que vão desde o medo relacionado ao estigma e ao julgamento moral que permeiam o tema, passando pelo recrudescimento do conservadorismo no país e por entraves relacionados às políticas públicas de saúde, cujo alinhamento materno-infantilista norteia as práticas de cuidado no ciclo gravídico-puerperal. Como política pública direcionada, a estratégia de redução de danos precisa contar com vontade política, educação permanente, metas e indicadores para avançar na capacidade de responder às necessidades individuais de maneira integral e colaborar para a redução da mortalidade por aborto inseguro.
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10.1590/0102-311XPT089124
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