Guatemala é um país com profundas desigualdades e iniquidades históricas e a maior taxa de desnutrição da América Latina. Com a chegada do COVID-19 a capacidade de resposta do Estado foi colocada a prova. As organizações sociais têm sido importantes para garantir o acesso às condições de vida dignas para diversos grupos populacionais como pessoas em situação de rua, mulheres trabalhadoras do lar e comunidades maias. O presente relato de experiência tem como objetivo tornar visível como as disposições governamentais não consideraram grupos em vulnerabilidade social e o papel fundamental das organizações sociais nesse contexto. Apresenta-se a experiência do Movimento de Jovens em Situação de Rua, o Comedor Solidário Fé localizado em San Pedro La Laguna e a Associação de Trabalhadoras do Lar e da Zona Franca. Desde o início da pandemia no país foi necessária a adequação para levar as suas atividades de forma ininterrupta, algumas cujo trabalho era de incidência passou a outorgar apoio direto. Cada uma das organizações possui uma perspectiva do cuidado mais do que o Estado. A experiência demonstra a necessidade de revalorizar e dignificar a vida com valor na comunidade, a participação social e as relações entre género, etnia e sexo. É preciso a formulação de políticas públicas de forma participativa com equidade de gênero e pertinência intercultural.