Diferenças na prevalência do consumo de tabaco podem ser esperadas em Moçambique, considerando que os determinantes do uso de tabaco variam consideravelmente em todo o território. Este estudo comparou o uso diário de tabaco com e sem fumaça nas regiões de Moçambique. Foram realizadas duas pesquisas em Moçambique, em 2005 e 2014/2015, com amostras representativas da população adulta, seguindo a Abordagem STEPwise para a Vigilância de Fatores de Risco de Doenças Crônicas da Organização Mundial da Saúde. Estimativas de prevalência foram calculadas para o uso diário de diferentes tipos de tabaco, estratificadas por regiões de Moçambique. Os dados da pesquisa de 2014/2015 foram comparados aos da pesquisa de 2005 após padronização direta por idade. Ao longo do período de 10 anos, observou-se uma redução significativa para menos da metade na prevalência de tabagismo diário entre mulheres do Norte e homens das províncias do Sul. Isso foi devido à diminuição no consumo de cigarros enrolados entre as mulheres do Norte (de 9,6% para 2,3%) e de cigarros industrializados entre os homens do Sul (de 23,7% para 11,8%). Nas regiões Centro e Norte, observaram-se aumentos não significativos no consumo de cigarros industrializados entre os homens. Em relação ao tabaco sem fumaça, houve queda no consumo entre as mulheres do Sul (de 3,1% para 1%). Houve uma redução no consumo diário de cigarros de enrolar entre as mulheres do Norte e de cigarros industrializados entre os homens do Sul, além de uma possível tendência para o consumo residual de tabaco sem fumaça. No entanto, os resultados sugerem aumentos no consumo diário de cigarros industrializados entre homens nas regiões Centro e Norte.