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Centros depositórios de plantas medicinais: herbários como instrumento de gestão da biodiversidade

Revista Fitos

Sistemas de informação sobre biodiversidade são fontes para estudos de inestimavel valor científico e cultural. O gerenciamento de coleções etnobotânicas de plantas terapêuticas, representadas por meio de exsicatas, drogas vegetais, e produtos oriundos de comunidades tradicionais, torna-se fundamental no apoio às políticas de gestão patrimonial da biodiversidade. Nesse sentido os herbários são centros depositórios de que atuam diretamente no gerenciamento e conservação da biodiversidade. O presente estudo objetivou apresentar a Coleção de Plantas Medicinais da Amazônia do Herbário MFS, destacando o sistema de informação e organização dos dados das espécies, localidades e usos tradicionais, como forma de contribuir na documentação de patrimônios da biodiversidade. Foram realizadas excursões a campo em comunidades ribeirinhas, quilombolas, periurbanas, extrativistas, feiras livres e mercados, a fim de coletar plantas e produtos, bem como, informações do perfil sócio econômico dos inetrlocutores e dados etnobotânicos relacionados. A coleção de plantas medicinais do MFS é constituída de exsicatas, produtos, drogas e imagens, registradas no software Brahms. Lamiaceae, Asteraceae, Arecaceae, Fabaceae, Amaranthaceae, Rutaceae e Anacardiaceae foram as famílias mais representativas com 14 especies presentes em listas de indicação e descrição de medicamentos e fármacos do Ministério da Saúde, tendo sua eficácia comprovada quanto ao uso. A fototeca abriga cerca de 700 imagens, enquanto a coleção de drogas é formada por 280 amostras de raízes, cascas, folhas, flores, frutos, sementes e triturados. Foram incorporados 105 produtos de uso terapêutico, obtidos através dos estudos etnobotânicos. A integração dos dados presentes em uma coleção torna-se essencial para estudos farmacológicos, visto que pouco se conhece a respeito do uso e diversidade da flora amazônica.

DOI
10.5935/2446-4775.20170012
Edição
Identificação
Referências do artigo
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